Entenda por que o perfusionista é um profissional tão importante

Você sabia que a maior precisão nas cirurgias do coração não se restringe apenas ao trabalho do cardiologista? Existe um outro profissional imprescindível quando se trata do assunto, e ele é chamado de perfusionista.

A partir da primeira metade do século passado, as cirurgias cardíacas e torácicas se consolidaram como uma opção eficiente no tratamento de diferentes doenças que atingem essa parte do organismo humano. Consequentemente, os profissionais precisaram se aperfeiçoar para atingir o nível de excelência desejado, como é o caso do perfusionista.

Neste artigo, você compreenderá mais sobre o trabalho do profissional de perfusão, as especificidades de sua atuação, bem como a necessidade de especialização na área para atuar de maneira proficiente e de acordo com o que determina a legislação. Confira!

O que faz um perfusionista?

Um profissional de perfusão executa uma série de tarefas, entre as quais estão:

  • preparação da montagem do circuito extracorpóreo;

  • monitoramento de pacientes com Assistência Circulatória com Membrana Extracorpórea (ECMO);

  • realização da perfusão em pacientes;

  • execução de exames de gasometria;

  • instalação de balões intra-aórticos e coração artificial junto da equipe cirúrgica.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Circulação Extracorpórea (SBCEC):

“A circulação extracorpórea (CEC) compreende um conjunto de aparelhos e técnicas, mediante as quais se substituem, temporariamente, as funções de bomba do coração e respiratória dos pulmões, enquanto esses órgãos ficam excluídos da circulação e isso ocorre durante o tempo principal da cirurgia cardiovascular”.

As funções de bombeamento do coração são desempenhadas por uma bomba mecânica e as funções dos pulmões são substituídas por um oxigenador capaz de realizar as trocas gasosas com o sangue […] A CEC também é utilizada em outros procedimentos cirúrgicos, como cirurgias vasculares, transplantes cardíacos, além do tratamento por quimioterapia hipertérmica“.

Tais funções seriam desempenhadas por um instrumento mecânico, uma bomba, enquanto o pulmão seria substituído por um oxigenador. Toda essa atividade é chamada de circulação extracorpórea e é realizada pelo perfusionista. O reconhecimento desse profissional como membro da equipe cirúrgica foi reconhecido apenas no ano de 2002 no Brasil, mas a área existe desde 1953.

Vale ressaltar que a perfusão é uma área da Biomedicina. No entanto, o profissional especialista na área pode ter ensino superior em Enfermagem, Fisioterapia, Farmácia, Medicina e, até mesmo, Biologia.

Outro ponto importante é que a pessoa capacitada na área está habilitada a manusear maquinários utilizados em cirurgias. Portanto, é imprescindível que ele tenha forte senso de trabalho em equipe e esteja alinhado tanto ao trabalho do anestesista quanto do cirurgião para que o procedimento possa ser executado com sucesso.

Qual é a importância de um perfusionista?

Para Renata Galvão, atual coordenadora do curso de Biomedicina da UniNorte, a importância do perfusionista está diretamente ligada ao desenvolvimento da Medicina.

“Com o avanço da tecnologia é necessário profissionais capacitados que possam atuar dando suporte de vida avançado, podendo atuar e contribuir com pesquisa, desenvolvimento de novas técnicas e produtos, protocolos, atuar como responsável técnico, prestar assistência em demais cirurgias que necessitem de dispositivos artificiais. O perfusionista vem agregar esforços junto da equipe médica, trazendo qualidade de vida ao paciente”.

Ele tem um papel de grande impacto sobre todo o processo cirúrgico. Uma circulação extracorpórea feita incorretamente pode levar um paciente a óbito, logo, cabe ao perfusionista garantir que toda a técnica seja apurada.

A ideia é oferecer suporte para que os equipamentos funcionem adequadamente, mas também para que cada fase do procedimento esteja bem assistida. Afinal, trata-se de um suporte artificial de vida durante o ato cirúrgico.

Qual é o futuro dessa carreira?

De modo geral, o mercado de trabalho em perfusão é bastante amplo, justamente por lidar com parte importante do funcionamento do corpo. Logo, é preciso estar sempre aberto e receptivo aos estudos na área, visto que as tecnologias têm sido aperfeiçoadas com o tempo. Só para se ter uma ideia das áreas de atuação, podemos destacar:

  • suporte em cirurgia cardíaca em adultos, neonatal e pediátrica;

  • suporte em cirurgia oncológica;

  • suporte em cirurgia vascular;

  • transplante de pulmão, coração e fígado;

  • atuação em UTIs que possuam ponte para transplante e suporte de vida para pacientes;

  • docência (graduação e pós-graduação);

  • representação comercial (vendas);

  • assessoria técnica (suporte científico);

  • pesquisa científica (mestrado, doutorado etc).

A profissão de perfusionista é regulamentada?

O Projeto de Lei 1587/07 que regulamenta a profissão de perfusionista foi proposto em 2007. Na legislação está determinado que apenas profissionais com nível superior nas áreas da saúde e Biologia, com curso específico em perfusão poderão exercer a profissão.

Nessa mesma ocasião, foi aprovada uma emenda que sugere que os profissionais respondam por processos tanto na área administrativa quanto civil e penal por danos ocasionados a terceiros durante o exercício de sua atividade.

O PL recomenda que o curso em perfusão deve ter uma carga horária mínima de 1.400 horas/aulas, a ser aumentada caso o poder público julgue necessário. Entre as questões que devem ser abordadas estão a fisiologia circulatória, respiratória, sanguínea, renal e metabólica, ademais, deve existir um treinamento específico na parte mais técnica, como manuseamento de equipamentos.

A ideia da proposta também abrange questões como o direito ao exercício da profissão pelo cirurgião cardiovascular com formação específica na área e também ao perfusionista que já tenha atuado em, no mínimo, 100 perfusões. Neste último caso, o profissional tem até 5 anos após a publicação da lei para concluir a certificação.

Qual é a média salarial para essa carreira?

Segundo Renata Galvão, a remuneração pode variar em média de R$ 2.500 a R$ 8.600 por mês, conforme a função exercida, seja em um hospital ou empresa que contrata os serviços.

Para poder atuar na área, a maioria dos hospitais e empresas que comercializam produtos e materiais exige diploma de ensino superior em alguma graduação da área da saúde, assim como ter o título de Especialista em Circulação Extracorpórea (pós-graduação lato sensu), como já destacamos.

A grade horária dos cursos da área da saúde na UniNorte inclui aulas voltadas ao conhecimento sobre o corpo humano e sua fisiologia, como na matéria de Estrutura e Função e Sistemas Corporais. Porém, vale reforçar que o estudante ainda precisa fazer um curso complementar após a graduação, afinal, trata-se de uma obrigatoriedade legislativa.

E então, gostou de conhecer mais essa possibilidade de carreira na área da saúde. Se você está pensando em seguir por esse caminho e deseja começar já, entre em contato com a UniNorte e conheça os nossos cursos!

 

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