Arquitetura e Engenharia: quais as diferenças nos cursos?

Qual a diferença entre arquiteto e engenheiro civil? Em certos contextos, esses dois profissionais desenvolvem trabalhos com funções próximas, fazendo com que muitos estudantes fiquem em dúvida sobre qual curso escolher.​

Decidir que faculdade fazer não costuma ser algo muito fácil. Mas a escolha pode ficar ainda mais complicada quando a dúvida paira entre cursos que, aparentemente, são bem semelhantes. É o caso de Arquitetura e Engenharia, por exemplo.

A verdade é que, especialmente para quem já não tem muito tempo livre e precisa conciliar trabalho e estudo, além de fazer malabarismo para arcar com as despesas do Ensino Superior, escolher o curso certo é crucial. Para tomar essa decisão, é necessário conhecer bem as características de cada graduação.

Se você está em dúvida justamente entre Arquitetura e Engenharia, não se preocupe. Nosso objetivo hoje é ajudá-lo a tomar a decisão mais acertada. Continue acompanhando para saber mais sobre cada curso e ver qual é a melhor opção para você!

As diferenças básicas

O arquiteto e o engenheiro civil têm em comum o fato de ambos serem profissionais presentes na construção de imóveis de forma geral. Mas, na prática, quais são as principais diferenças entre arquiteto e engenheiro?

Arquitetura

De forma resumida, podemos dizer que o curso de Arquitetura prepara o aluno para produzir a planta de uma casa ou de um prédio, por exemplo. Para isso, é preciso levar em conta tanto aspectos estéticos como funcionais. Esse profissional vai se envolver principalmente com a parte criativa do planejamento.

Engenharia

Já a graduação em Engenharia Civil prepara o estudante para gerenciar e executar projetos elaborados por arquitetos, fazendo cálculos e indicando os materiais que devem ser usados, sem maiores preocupações com a questão estética. O engenheiro civil vai trabalhar mais diretamente, portanto, com aquilo que está ligado à infraestrutura da obra.

Resumidamente, pode-se dizer que o arquiteto preocupa-se com “o que fazer”, enquanto o engenheiro cuida de “como fazer”. Isso, é claro, não significa que o arquiteto só cria e que o engenheiro só executa 100% do tempo.

As maiores distinções

Se, por um lado, existe uma intersecção entre as duas áreas, também existem certas atividades nas quais o engenheiro e o arquiteto ficam bem distantes um do outro!

Quando um profissional de Arquitetura deseja se afastar da Engenharia, ele pode optar por atuar com design de interiores, paisagismo ou até mesmo restauração. Em trabalhos de patrimônio histórico, por exemplo, somente arquitetos podem lidar com obras de restauro.

Já os profissionais de Engenharia que querem passar longe das funções de Arquitetura têm a oportunidade de trabalhar com a construção de estradas, viadutos e pontes, por exemplo. Nessas áreas, o arquiteto acaba não se envolvendo em nenhum momento.

Os cursos

Adiantando: tanto o curso de Arquitetura quanto o curso de Engenharia Civil duram 5 anos. No entanto, como você deve imaginar pelo trabalho exercido por cada um, as disciplinas abordadas nessas graduações são bem diferentes. Confira alguns dos conteúdos ministrados ao longo dos períodos de cada graduação para ter uma ideia melhor!

Disciplinas de Arquitetura

  • Plástica;
  • Desenho Arquitetônico;
  • História da Arquitetura;
  • Estética e História da Arte;
  • Estudo dos Solos;
  • Arquitetura Brasileira;
  • História do Urbanismo e Paisagismo.

Matérias de Engenharia Civil

  • Álgebra Linear e Geometria Analítica;
  • Desenho Técnico;
  • Algoritmos e Programação;
  • Ciência dos Materiais;
  • Introdução à Estatística;
  • Instalações Prediais — elétrica e hidráulica;
  • Topografia.

Os perfis profissionais

Não é incomum que alunos que começam um dos cursos — Arquitetura ou Engenharia — posteriormente percebam que, na verdade, possuem mais gosto pela outra formação. Por isso, quanto mais conhecimento você tiver sobre os perfis profissionais de cada área, maiores serão as chances de acertar na escolha logo de cara!

Então, que tal conferir as principais características e preferências que os estudantes de cada uma das graduações devem ter? Veja a seguir!

Estudantes e profissionais de Arquitetura

  • perfil criativo;
  • gosto por desenho;
  • lado artístico;
  • boa capacidade para cálculos.

Estudantes e profissionais de Engenharia Civil

  • perfil executor;
  • gosto por Matemática e Física;
  • pensamento lógico e analítico;
  • alta capacidade para cálculos.

De qualquer modo, independentemente de qual curso você começar, a experiência das aulas ajudará a descobrir o melhor caminho a seguir — e nunca é tarde demais para ajustar o percurso e fazer o que ama! Inclusive, as disciplinas da faculdade são um ótimo termômetro para identificar se o aluno está na graduação mais adequada ao seu perfil.

Quando o estudante de Arquitetura não gosta de matérias como Desenho Arquitetônico e Plástica, esse pode ser um sinal de que ele tem mais afinidade com a Engenharia.

Já no curso de Engenharia, quem tem mais afinidade com a Arquitetura costuma preferir as disciplinas de desenho. Afinal, o desenho à mão livre é uma habilidade importante para arquitetos, enquanto na Engenharia quase todas as projeções são feitas no computador.

As áreas de atuação da Arquitetura

Como mencionado, o profissional formado em Arquitetura vai poder trabalhar em diversas áreas — algumas mais próximas da Engenharia e outras mais distantes. Veja a seguir quais são os principais ramos em que o arquiteto atua.

Urbanismo

A área de urbanismo consiste no planejamento de uma determinada região com a intenção de criar condições satisfatórias de moradia e utilização. Uma rápida análise das notícias das grandes cidades brasileiras faz perceber que repensar suas estruturas é algo urgente.

Reivindicações por mais espaços e parques públicos, crescimento da demanda por infraestrutura para bicicletas e até manifestações solicitando mudanças no transporte público — para a melhoria da mobilidade urbana — são algumas dessas questões.

Boa parte dos novos desenhos das cidades passa pelas mãos e mentes dos urbanistas. Hoje, a profissão vive seu melhor momento no país, onde seu trabalho aparece para toda a sociedade e as possibilidades de atuação são muito mais amplas.

Dentro do urbanismo, o arquiteto normalmente atua nos seguintes âmbitos:

  • poder público — trabalha-se nas prefeituras, atuando principalmente na gestão pública e na legislação em políticas urbanas (é o viés mais comum);
  • área acadêmica — dedica-se a estudos e pesquisas e estudos e também integra o corpo docente da universidade ou faculdade;
  • parcerias público-privadas — atua em reurbanização de áreas degradadas, revitalizações de centros históricos, participa de soluções de mobilidade e em outros projetos que podem envolver várias esferas da sociedade;
  • consultoria — desenvolve projetos de empreendimentos integrados à cidade ou bairros planejados, cuidando de fatores como: contato com a natureza, mobilidade, redução de impactos ambientais e sociais.

Design de interiores

Focado na organização, estética e gerência dos custos de espaços internos, nesse setor, o arquiteto trabalha projetando os ambientes e considerando sua funcionalidade, conforto e decoração.

Para criar ou realizar modificações, o profissional cria um layout, pensa na disposição de móveis, estuda áreas de circulação e descanso e cria uma lista de todos os materiais que serão utilizados na estruturação do projeto. Além disso, ficam por sua conta a luminosidade, ergonomia, acústica e tamanho dos ambientes.

O objetivo do design de interiores é criar um espaço funcional, harmônico e aconchegante — seja esse local uma residência, escritório ou qualquer outro recinto.

Restauração

Esse segmento atua preservando e restaurando os recursos culturais e naturais existentes. Aqui, o arquiteto pode desenvolver seu trabalho ao construir vilas, cidades, povoados e áreas rurais sustentáveis e duradouras, contribuindo para a coerência e continuidade desses lugares.

Seu foco é promover o engajamento cívico, a vitalidade econômica e a diversidade social associados à preservação dos ecossistemas e da identidade local. Além de pesquisar e aprender com as experiências bem-sucedidas e os fracassos do passado, tirando lições das consequências imprevistas.

Outras áreas

  • arquitetura verde — elaboração de projetos (comerciais ou residenciais) de modo sustentável;
  • comunicação visual — criação de identidade visual de uma empresa ou de um produto;
  • paisagismo e ambiente — desenvolvimento de espaços abertos e recriação de ambientes destruídos.

As oportunidades de trabalho da Engenharia Civil

O estudante que está se formando em Engenharia Civil também terá possibilidades de atuação em diversas áreas. Algumas delas, inclusive, são pouco lembradas por quem se inscreve no vestibular. Por isso, vale ficar atento e estudar as opções existentes listadas abaixo.

Construção civil

Pode ser classificada como a reforma, criação e construção de instalações de médio e grande porte, sejam elas casas, edifícios ou fábricas. É um segmento clássico da Engenharia Civil, responsável por todos os processos construtivos — que vão desde a escolha de materiais, passando pelo processo de edificação e chegando até o acabamento das obras.

Estradas e transporte

Nessa área, considerada bastante abrangente e com muitas ramificações, o engenheiro é responsável por diversos aspectos que visam a otimização e melhoria do tráfego local.

Algumas das suas responsabilidades são: planejamento do sistema de transporte; construção, manutenção e pavimentação de estradas; gestão de portos, rodoferroviárias e aeroportos; e controle de toda a parte logística dos sistemas.

Geotecnia

A área é voltada para a elaboração de projetos ou execução de obras levando em consideração o comportamento do solo e das rochas nele presentes. O engenheiro cuida do que pode influenciar a infraestrutura de uma construção, como escavações, fundações e barragens.

Cálculo estrutural

O engenheiro civil desenvolve cálculos e planilhas relacionados a resistências dos materiais (madeiras, aços, argamassas) e estruturas de concreto ou metálicas de todos os tipos de construção, como no caso de pontes, por exemplo. O profissional é o responsável pelos cuidados que mantém uma construção firme, estável e bem-estruturada.

Orçamento

O engenheiro orçamentista estuda a viabilidade econômica de uma obra. Ele propõe o melhor desempenho técnico e financeiro do produto a ser empreendido. Fica sob sua responsabilidade, ainda, fornecer preços, levantamentos quantitativos (cálculo das quantidades de materiais para uma construção), elaborar planilhas orçamentárias e providenciar documentações que devem ser repassadas para toda a equipe de engenharia.

Outras áreas

  • saneamento — elaboração e execução de obras ligadas ao saneamento básico;
  • aeroportos — estudo, elaboração e execução das obras de aeroportos, prevenindo riscos e levando em conta a proteção ambiental;
  • hidrologia e recursos hídricos — elaboração, administração e execução de obras relacionadas a canais e reservatórios, tratamento de água, sistemas de esgoto e de abastecimento, entre outras possibilidades.

A carreira

Vamos agora focar um pouco mais na carreira proporcionada por cada graduação?

Arquitetura

Quem é graduado em Arquitetura pode trabalhar como autônomo, abrindo seu próprio escritório, como também pode ser funcionário de algum escritório ou mesmo de algum órgão do governo. No caso, para seguir a carreira pública, é preciso prestar um concurso. O profissional também pode atuar na área de consultoria.

De forma geral, é sim possível conseguir boas vagas em empresas, mas para isso é fundamental ter experiência. Se a intenção é seguir para esse lado, o aluno deve, ainda na universidade, procurar se envolver o máximo que puder nas oportunidades oferecidas, fazendo parte de projetos e participando de palestras e atividades extracurriculares. O estágio também é muito importante. Com toda essa bagagem, o portfólio inicial do profissional já será bem mais interessante — o que pode abrir muitas portas.

Engenharia Civil

Quem se forma em Engenharia Civil tem mais chances de conseguir um emprego no setor privado. Também aqui, para conseguir um cargo em uma empresa, é preciso investir no currículo. Assim, durante o tempo em que ainda estiver cursando a faculdade, procure fazer o maior número possível de atividades extracurriculares, além, é claro, de estágios.

Já no caso das construtoras, para conseguir uma vaga, normalmente é preciso passar por um programa de trainee — treinamento e capacitação — para, posteriormente, poder ocupar um cargo de liderança. Também é possível trabalhar no setor público ou como autônomo, investindo no seu próprio negócio.

O mercado de trabalho

Em relação ao mercado de trabalho, tanto para quem se forma em Arquitetura quanto para quem se forma em Engenharia, é muito importante lembrar que a construção civil pode sofrer alterações de acordo com a situação econômica do país.

Assim, em tempos de crise, a demanda pode ser menor. Nessas épocas, é comum que as pessoas contratem apenas um dos dois profissionais para realizar sua obra, fazendo com que, muitas vezes, a rixa entre as duas categorias se acentue.

Por outro lado, em épocas de crescimento econômico, o cenário costuma ser bastante favorável tanto para os arquitetos como para os engenheiros civis. Dessa maneira, é fundamental que ambos os especialistas saibam trabalhar em conjunto — inclusive, desenvolvendo parcerias e indicando um ao outro para seus consumidores. Em casos assim, o cliente sempre sai ganhando.

A dúvida cruel

A essa altura, você já conhece ao menos as diferenças básicas entre os cursos de Arquitetura e Engenharia Civil, certo? Agora, para tomar a decisão mais acertada, é fundamental levar em conta não só essas características, mas também suas aptidões e até sua afinidade com as disciplinas e com as possíveis áreas de atuação.

Por mais que as diferenças entre as faculdades de Arquitetura e Engenharia Civil não sejam tão evidentes em um primeiro momento, você agora sabe: são duas graduações com características bem distintas. O arquiteto e o engenheiro civil podem sim trabalhar juntos na construção civil, preparando e executando uma obra, mas cada um tem funções específicas a realizar. E então, com qual papel você mais se identifica?

Por fim, agora que você já sabe a diferença entre arquiteto e engenheiro civil e está mais preparado para tomar uma decisão, que tal assinar a nossa newsletter para receber mais conteúdos como este em primeira mão? Então, cadastre o seu e-mail e aproveite!

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